V Congresso Internacional dos Comissários da Terra Santa: esperança e a retomada das peregrinações

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Realizado em Jerusalém entre os dias 19 e 25 de novembro, o encontro reuniu mais de 70 frades de cinco continentes para fortalecer a missão de ser “ponte” entre os fiéis do mundo e os Lugares Santos.

JERUSALÉM – Encerrou-se a segunda-feira (25) o V Congresso Internacional dos Comissários da Terra Santa, um evento marcante que, durante uma semana, reuniu em Jerusalém mais de 70 frades franciscanos provenientes da Ásia, Europa, América do Norte, América do Sul e África. Com o tema centrado na missão de serem “embaixadores da paz”, os participantes debateram estratégias para renovar o fluxo de peregrinos e apoiar a comunidade cristã local em tempos de conflito.

O Congresso iniciou no dia 19 de novembro com uma celebração simbólica no Santo Cenáculo, presidida por Frei Francesco Ielpo, Custódio da Terra Santa. Na ocasião, foi invocado o Espírito Santo para que os comissários atuassem como construtores de comunhão. Estes religiosos desempenham um papel vital em suas províncias de origem: animam a evangelização, garantem suporte financeiro à Custódia e, fundamentalmente, organizam as peregrinações que conectam o mundo à terra de Jesus.

Um sinal profético de coragem

Ao longo do evento, a mensagem central foi a superação do medo. Frei Ielpo destacou em suas intervenções que o encontro serviu como um “novo Pentecostes”, encorajando os frades a passarem da incerteza para a coragem apostólica.

“Quando pensamos e organizamos o congresso, o conflito ainda estava em curso, mas sabíamos que precisávamos enviar um sinal”, afirmou o Custódio durante o encontro. “Um sinal para dizer que estamos trabalhando, que queremos que nossos comissários compreendam esta realidade vivida pela terra e, ao retornarem aos seus países, tragam peregrinos o mais breve possível.”

Escutar, apoiar e anunciar

A dinâmica do Congresso foi estruturada sob três pilares: escutar, apoiar e anunciar. Frei Matteo Brena, Presidente do Comitê Organizador, explicou que a semana serviu para que os comissários ouvissem a realidade da Igreja local para, então, comunicá-la com fidelidade.

“O verbo ‘apoiar’ evocou a dimensão do cuidado com as comunidades desta Terra e os lugares santos, promovendo a missão da Custódia que se realiza nas paróquias, escolas e ações de assistência”, pontuou Frei Matteo. Já o “anunciar” foi reforçado como a proclamação de um Evangelho encarnado, capaz de abrir caminhos de futuro e esperança.

Imersão na realidade local e espiritualidade

A programação não se limitou a debates teóricos. Houve momentos fortes de imersão, como a visita a Belém, onde os frades não apenas peregrinaram à Igreja da Natividade e ao Campo dos Pastores, mas também conheceram a realidade viva da comunidade local através de visitas a uma escola e ao centro da Ação Católica.

A espiritualidade franciscana permeou todos os dias. Na quinta-feira (20), Frei Ulise Zarza, Vigário da Custódia, presidiu a Santa Missa na Igreja de São Salvador em memória do Beato Frederick Janssoone. Missionário e comissário no Canadá, Janssoone foi recordado como modelo de santidade comunitária e trabalho em fraternidade.

Outro momento de destaque foi a Hora Santa na Basílica do Getsêmani, presidida pelo Núncio Apostólico, Dom Adolfo Tito Yllana, unindo os participantes em oração pela paz na região.

Com o fim das atividades no dia 25, os comissários retornam agora às suas províncias com a missão renovada de reconectar os fiéis de todo o mundo à Terra Santa. Os registros e momentos marcantes do Congresso permanecem disponíveis nos canais oficiais da Custódia da Terra Santa nas redes sociais.

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